UFMG apresenta primeira etapa da restauração da Casa da Glória
UFMG apresenta primeira etapa da restauração da Casa da Glória Cartão-postal de Diamantina já teve concluídos os espaços da biblioteca e alguns dormitórios 02 de março de 2026 | 12:26
Recuperação da Casa da Glória tem recursos do governo dos Estados Unidos.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresenta nesta quarta-feira (4/3), às 13h, a primeira etapa das obras de restauração da Casa da Glória, durante visita técnica com representantes da Embaixada dos Estados Unidos. Iniciadas em 2022, a revitalização é financiada pelo Departamento de Estado dos EUA. Às 16h, será a vez de apresentação à imprensa.
Na ocasião, haverá o descerramento de placa, com a presença da reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida, e autoridades locais. Também está prevista a reexibição do documentário "Passos de uma casa", lançado pela TV UFMG em 2025, que registra a importância cultural do monumento para a comunidade local.
Cartão-postal de Diamantina e construída no século XVIII, a Casa da Glória foi fechada para visitação em 2020, durante a pandemia da Covid-19. Na época, foi constatada a infestação de cupins na edificação. Desde 2022, o processo de restauração incluiu controle de pragas, intervenção estrutural – mantendo-se as técnicas usadas na construção (adobe e pau-a-pique) – redesenho da estrutura elétrica e pintura.
As obras são realizadas com o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Nesta primeira etapa, já foram concluídos os espaços da biblioteca e alguns dormitórios. A previsão é que os trabalhos sejam finalizados até 2027, com a reabertura da visitação ao público.
“A Casa da Glória tem um peso cultural e histórico inegável, ela é o cartão-postal de Diamantina. A cidade inclusive ganhou portais na entrada que remetem ao passadiço. O monumento é a identidade visual de Diamantina”, destaca o professor da UFMG Tiago Amâncio Novo, vice-diretor do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade. Desde 1979, a Casa da Glória foi incorporada como órgão complementar do IGC, depois que o conjunto arquitetônico foi adquirido pelo então Ministério da Educação e Cultura (MEC) para sediar o Instituto Eschwege, que passou a se chamar Centro de Geologia Eschwege (CGE), onde eram ministrados cursos na área de geologia de campo e mapeamento geológico para estudantes da área de todo o Brasil.
As construções que compõem a atual Casa da Glória são de épocas e estilos diferentes. A parte principal é uma construção setecentista, cuja data exata de edificação é desconhecida. Acredita-se que a Casa tenha sido construída entre 1775 e 1800. Não se sabe ao certo o responsável pela obra, mas ela é atribuída a Manuel Viana, marido de Dona Josefa Maria da Glória, que morou no local até 1813, o que levou a residência a ficar conhecida como Casa da Glória. No início do século XIX a casa passou a ser administrada pelo Estado, servindo de residência para os intendentes. Ela recebeu visitas de estudiosos como Auguste de Saint-Hilaire, John Mawe, Barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, J.B. Von Spix, Von Martius, entre outros. Em 1864, foi transferida para o domínio da Igreja e transformada em sede do Segundo Bispado de Minas Gerais, tornando-se residência oficial dos Bispos de Diamantina. Por volta de 1867, com a finalidade de abrigar religiosas da ordem de São Vicente de Paulo, ocorreram transformações na Casa, que passou a ser conhecida como Orfanato e posteriormente como Educandário Feminino de Nossa Senhora das Dores. Ícone de Diamantina, o chamado Passadiço da Glória foi construído para ligar as duas casas que funcionavam como educandário e orfanato. A obra, que causou polêmica à época, acabou se integrando à paisagem diamantinense e foi símbolo da campanha Diamantina – Patrimônio Cultural da Humanidade. O título foi concedido à cidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1999.
Por Portal O Tempo : https://www.otempo.com.br/turismo/2026/3/2/ufmg-apresenta-primeira-etapa-da-restauracao-da-casa-da-gloria
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