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O Caminho dos Escravos é um dos mais importantes patrimônios históricos e naturais de Diamantina (MG). Construído no início do século XIX sob as ordens do Intendente Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt, o trajeto foi calçado com pedras pelo trabalho forçado de pessoas escravizadas, com o objetivo de facilitar o escoamento de diamantes entre o Arraial do Tijuco (atual Diamantina) e o distrito de Mendanha.

Percorrer esse caminho hoje é ir além da paisagem: é caminhar sobre pedras que guardam a memória de uma das páginas mais dolorosas da história brasileira. A trilha convida o visitante a reconhecer a história, a resistência e as marcas deixadas por aqueles que, em condições extremamente duras, moldaram parte do território e da economia da região.

História e Significado

Fundamental para a dinâmica econômica dos séculos XVIII e XIX, o caminho serviu como rota de transporte de diamantes e outras mercadorias trazidas pelos tropeiros.Seu calçamento de pedras, conhecido como ‘pé de moleque’, ainda conserva cerca de 300 metros do trecho original, localizado próximo a Diamantina, permitindo observar de perto essa herança histórica.

O caminho também é marcado por histórias populares e pontos simbólicos, como o Mirante do Graças a Deus, ponto de parada de pessoas escravizadas em fuga, que celebravam ali a chance de escapar do cativeiro. Outro marco é a Serra de Santa Apolônia, onde viajantes faziam preces pedindo proteção.

O Percurso Hoje

Atualmente, o Caminho dos Escravos é um dos principais roteiros de ecoturismo e turismo de memória de Minas Gerais.

  • O percurso total tem cerca de 23 km, passando por trechos de cerrado, riachos, mirantes e cachoeiras.

  • O trecho mais conservado fica a 5 km do centro de Diamantina, acessível pela BR-367 (sentido Araçuaí).

  • É possível percorrer a trilha a pé ou de bicicleta, com opções de caminhada individual ou em grupo, geralmente no sentido Diamantina → Mendanha.

Ao longo da trilha, destacam-se pontos de parada como o Poço Verde, ideal para banho e descanso, e as cachoeiras do Pai Rocha, Vô Toninho e Sóter, já próximas a Mendanha.

Experiência de Visita

A caminhada é considerada de nível difícil, com cerca de 7 a 8 horas de duração, sendo recomendada para visitantes com bom preparo físico. A travessia é uma oportunidade de contemplar paisagens da Serra do Espinhaço, vivenciar a biodiversidade do cerrado e refletir sobre a herança histórica deixada pelo trabalho escravizado.


Dicas de Visita

  • O que levar: água, lanches, protetor solar, repelente, boné, óculos de sol, roupas leves e de banho, toalha e câmera fotográfica.

  • Segurança: o acompanhamento de um guia local é recomendado, especialmente para quem deseja percorrer todo o trajeto.

  • Melhor época: períodos secos são mais indicados para a caminhada, evitando trechos escorregadios após chuvas.

Informações para o Visitante

  • Localização: acesso pelo encontro da BR-367 com a Rua Salto da Divisa – Diamantina/MG.

  • Distância: cerca de 5 km do centro de Diamantina até o início do trecho calçado.

  • Extensão da trilha: aproximadamente 23 km até Mendanha.

Taxas: visitação gratuita.